Desmistificando o sexo oral para casais

O sexo oral é alvo de dois tipos de preconceito: imoralidade e falta de higiene. Na nossa cultura judaico-cristã qualquer prática que não leve à procriação sempre foi condenada, e os genitais são, para muita gente, considerados uma parte suja do corpo, por sua proximidade com os órgãos de excreção.

Claro que nada disso tem fundamento. É sabido que a grande maioria do sexo que se pratica não é para a procriação, e com a higiene comum os órgãos sexuais podem ficar tão limpos e cheirosos como qualquer outra parte do corpo. Além disso, em condições normais, o pênis e a vulva contêm muito menos germes do que a boca.

Alguns acham uma pouca vergonha, outros uma imundície, mas apesar de tantos tabus, o sexo oral é a atividade que mais se pratica antes da penetração. Calcula-se que hoje, no Ocidente, cerca de 75 por cento dos casais experimentam a estimulação oral-genital, e pelo menos 40 por cento o usam com freqüência.

E as pesquisas indicam que esses casais têm mais chance de se ajustarem sexualmente. Não é para menos. A boca e os genitais são os órgãos mais sensíveis do corpo e bastante receptivos às sensações de prazer. Sem contar com o adicional que a criatividade erótica pode proporcionar. Os homens de uma ilha da Micronésia, por exemplo, colocam um pequeno peixe dentro da vagina da mulher, que é gradativamente lambida por eles nas preliminares.

Muitos homens, sem coragem de sugerir às esposas o sexo oral, procuram, com as prostitutas, a satisfação desse prazer proibido em casa. As mulheres, além de todo o constrangimento por conta da repressão sexual, temem engasgar com o pênis na boca e, para decepção de seus parceiros, evitam engolir o esperma. Coisa que, indevidamente, é vista como falta de amor. Existem outras dificuldades na prática do sexo oral.

Os homens reclamam das mulheres que sugam o pênis com força ou roçam os dentes, causando desprazer. As mulheres dizem que os parceiros, não conhecendo bem a anatomia feminina, concentram a estimulação nos grandes lábios vaginais, onde há poucas terminações nervosas e por isso não proporcionam prazer. Ou então, o que é pior, friccionam o clitóris de forma rude, causando dor.

Como o sexo é um aprendizado, se houver vontade, é possível melhorar o desempenho. Contudo, o mais complicado de resolver, e que gera sérios desentendimentos, deixando a mulher ressentida, é a atitude do homem em relação ao sexo oral. A grande maioria deseja que a mulher sugue seu pênis, mas evita, sempre que pode, fazer o mesmo na vagina da parceira.

Diego Autor